A fintech brasileira CloudWalk começou a disponibilizar, em seu link de pagamentos, uma solução baseada no Visa Payment Passkey. A tecnologia permite autenticar compras online por reconhecimento facial, impressão digital ou outro método biométrico disponível no dispositivo do consumidor. A proposta é reduzir etapas tradicionais do checkout, como a digitação do CVV e o recebimento de códigos por SMS.
Segundo informações divulgadas pela Exame, a novidade resulta de uma integração entre CloudWalk e Visa. Inicialmente, o recurso está disponível para pagamentos feitos com cartões armazenados fora do ecossistema Click to Pay. A iniciativa coloca a autenticação biométrica no centro da jornada de pagamento em operações nas quais o cartão não está fisicamente presente.
Como funciona o Visa Payment Passkey
As passkeys são credenciais digitais associadas ao dispositivo e podem usar o mecanismo de desbloqueio já disponível no aparelho, como biometria ou código local. Na prática, o consumidor confirma a transação sem precisar memorizar uma senha específica para cada serviço ou informar manualmente o código de segurança do cartão em todas as compras.
Um ponto destacado na implementação é o local de armazenamento dos dados biométricos. As informações permanecem no próprio dispositivo do usuário, sem acesso direto da CloudWalk a esses dados. O aparelho realiza a verificação e autoriza o uso da credencial, enquanto a infraestrutura de pagamentos processa a transação conforme os mecanismos aplicáveis à operação.
Esse modelo é diferente de simplesmente enviar uma senha ou um código temporário por mensagem. Também não significa que a biometria seja transmitida à loja ou à fintech para comparação. A autenticação está vinculada ao dispositivo e à credencial criada para o serviço, o que reduz a dependência de informações digitadas ou recebidas por canais de comunicação.
Biometria, tokenização e senha têm funções diferentes
A autenticação biométrica confirma que a pessoa está autorizando uma ação por meio de uma característica ou método de desbloqueio do aparelho. Já a tokenização substitui dados sensíveis do cartão por um identificador digital, chamado token, que pode ser utilizado na transação sem expor diretamente o número original do cartão ao estabelecimento.
As duas tecnologias podem trabalhar em conjunto, mas não são equivalentes. A biometria está relacionada à confirmação da identidade ou da posse do dispositivo; a tokenização protege os dados do cartão durante o processamento. A senha, por sua vez, continua sendo uma alternativa de autenticação em diferentes contextos. O Payment Passkey combina a credencial digital com o método de desbloqueio escolhido pelo usuário.
O que muda para consumidores e lojistas
Para o consumidor, a principal mudança está na redução de etapas durante o pagamento online. Em vez de procurar uma mensagem, copiar um código ou digitar informações do cartão, o usuário pode confirmar a compra diretamente no smartphone ou em outro dispositivo compatível. Essa experiência tende a ser especialmente relevante em links de pagamento, nos quais a simplicidade do processo influencia a conclusão da operação.
Para lojistas e plataformas de comércio eletrônico, a autenticação pode ajudar a tornar o checkout mais fluido sem eliminar as camadas de segurança da transação. A adoção também acompanha um movimento do setor de pagamentos em direção a experiências com menos fricção, combinando autenticação, tokenização e monitoramento das operações.
A Visa já apresentou no Brasil um piloto que reuniu Click to Pay, Visa Payment Passkey e Cloud Token Framework em uma iniciativa com o Santander, anunciada em fevereiro de 2026. O projeto ilustra como diferentes componentes podem ser integrados para autenticar o consumidor e proteger os dados utilizados no pagamento.
Biometria não elimina todos os riscos
Apesar de reduzir a dependência de senhas e códigos enviados por SMS, a autenticação biométrica não elimina todos os riscos de fraude. A segurança também depende da proteção do dispositivo, da configuração utilizada pelo consumidor, da infraestrutura das empresas envolvidas e dos sistemas de análise que identificam transações suspeitas.
Por isso, o usuário deve manter o sistema operacional atualizado, utilizar bloqueio de tela e evitar inserir dados de pagamento em links recebidos de fontes desconhecidas. Também é importante verificar o estabelecimento antes de confirmar uma compra. A biometria simplifica a autorização, mas não substitui a atenção do consumidor nem os mecanismos de prevenção adotados por emissores, credenciadores, fintechs e bandeiras.
A expansão do Visa Payment Passkey pela CloudWalk reforça a disputa tecnológica em torno do pagamento online com biometria. A tendência é combinar uma jornada mais simples para o consumidor com recursos capazes de preservar a segurança dos dados e reduzir a exposição de credenciais durante o checkout.
Fontes utilizadas: Exame; Visa Brasil; Panorama do comércio eletrônico da Visa.