O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues lembra que o rastreamento encontra, cada vez mais, lesões tão pequenas que não podem ser sentidas ao toque. O ganho para o diagnóstico precoce é evidente, mas cria um problema prático: como o cirurgião encontra, durante a operação, uma alteração que só aparece nos exames de imagem? A resposta está em um conjunto de procedimentos de marcação, feitos pelo radiologista em etapas que se complementam.
Primeira etapa, o clipe deixado na biópsia
O processo muitas vezes começa antes mesmo do diagnóstico. Ao final de uma biópsia guiada por imagem, o radiologista costuma deixar um pequeno clipe metálico no local de onde o material foi retirado. O dispositivo tem poucos milímetros, não causa desconforto e permanece na mama sem riscos.
O clipe aparece nos exames seguintes como um pequeno ponto brilhante e tem papel importante quando a lesão é pequena ou quando a própria biópsia remove boa parte dela. Também é essencial nas pacientes que fazem quimioterapia antes da cirurgia, já que o tumor pode diminuir tanto que deixa de ser visível nos exames, e a marcação passa a ser a única referência do local a ser operado.
Segunda etapa, a escolha do método de localização
Antes da cirurgia, a área precisa ser marcada de forma que o cirurgião consiga encontrá-la. O método mais tradicional é o agulhamento, em que um fio metálico fino é inserido na mama, guiado por mamografia, ultrassonografia ou ressonância, até que a ponta fique junto à lesão. O fio permanece no local até a operação, geralmente realizada no mesmo dia.
Outras técnicas evitam o fio exposto. Na localização radioguiada, uma pequena quantidade de material radioativo é injetada na lesão, e o cirurgião usa um detector durante a cirurgia. Também existem sementes metálicas, magnéticas ou radioativas, que podem ser colocadas dias antes. Segundo Vinicius Rodrigues, a escolha depende da disponibilidade de cada serviço, do tipo de lesão e da organização entre as equipes de imagem e de cirurgia.
Terceira etapa, a confirmação da posição
Depois de colocar o marcador, o radiologista faz novas imagens para confirmar que ele está no ponto correto. Uma diferença de poucos milímetros pode significar retirar tecido saudável desnecessariamente ou deixar parte da lesão para trás.
O procedimento é feito com anestesia local e costuma ser bem tolerado. A paciente pode sentir pressão ou leve desconforto, mas raramente dor intensa. As imagens finais, com a marcação, são encaminhadas ao cirurgião para orientar o planejamento. Em alguns casos, a pele também recebe uma pequena marca indicando o ponto mais próximo da lesão.
Quarta etapa, a radiografia da peça cirúrgica
Durante a operação, o cirurgião retira o tecido marcado. Antes de encerrar o procedimento, a peça é enviada para uma radiografia, que mostra se a lesão, as microcalcificações ou o clipe estão dentro do material removido.
Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a radiografia da peça é uma etapa de segurança indispensável, porque permite ao cirurgião ampliar a retirada ainda durante a cirurgia, caso a imagem mostre que o alvo ficou próximo da margem ou fora do tecido removido.
Trabalho integrado entre especialidades
A localização de lesões não palpáveis mostra como o tratamento do câncer de mama depende da integração entre radiologia, cirurgia e patologia. Horários combinados, comunicação clara sobre o local da lesão e revisão conjunta das imagens reduzem erros e evitam novas cirurgias.
Para a paciente, entender as etapas ajuda a diminuir a ansiedade no dia da operação. Conforme explica Vinicius Rodrigues, a marcação precisa é o que permite retirar apenas o necessário, preservando ao máximo a mama e garantindo que a lesão encontrada pelo rastreamento seja tratada por completo.