O Banco Central publicou o regulamento da segunda fase do Piloto Drex e abriu um chamamento público para instituições interessadas em testar novos casos de uso na plataforma. As inscrições estarão disponíveis de 14 de outubro a 29 de novembro de 2026, segundo comunicado divulgado pela autoridade monetária.
A nova etapa será concentrada em aplicações próprias baseadas em smart contracts, os contratos inteligentes capazes de executar regras previamente definidas em ambientes digitais. As propostas poderão envolver operações de emissão, resgate ou transferência de ativos, além da simulação dos fluxos financeiros associados às negociações.
De acordo com o Banco Central do Brasil, os participantes também deverão explicar os impactos esperados dos projetos para o sistema financeiro. O regulamento exige ainda informações sobre os mecanismos de privacidade necessários e sobre eventuais impedimentos legais ou regulatórios identificados pelas instituições.
O que muda na segunda fase do Piloto Drex
Uma das diferenças em relação à primeira fase é que o Banco Central não estabeleceu, inicialmente, um limite predeterminado para a quantidade de casos de negócio que poderá selecionar. A decisão dependerá do volume de propostas recebidas e da capacidade técnica e operacional da autoridade monetária para conduzir os testes.
Podem participar instituições que atuem no mercado financeiro e tenham condições de testar os modelos apresentados. A exigência de aplicações próprias indica que o chamamento busca avaliar soluções concretas, com fluxos definidos para ativos e transações, e não apenas estudos conceituais sobre o funcionamento da plataforma.
Na prática, os projetos poderão ajudar a examinar como diferentes operações financeiras podem ser estruturadas em uma infraestrutura digital com uso de contratos inteligentes. Entre os campos relacionados à proposta estão crédito, financiamento, mercado de capitais, registro de ativos e liquidação de operações, desde que os casos sejam apresentados dentro das regras do chamamento.
Privacidade e conformidade entram no centro dos testes
A ampliação dos casos avaliados também aumenta a importância dos requisitos de privacidade e conformidade. Os participantes precisarão considerar a Lei Geral de Proteção de Dados, o sigilo bancário e outras normas aplicáveis ao funcionamento das operações. Esses pontos deverão fazer parte da descrição técnica e regulatória enviada ao Banco Central.
O tema é relevante porque uma infraestrutura financeira digital precisa conciliar automação, rastreabilidade e proteção das informações envolvidas nas transações. Por isso, a segunda fase não se limita a verificar se um smart contract consegue executar determinada regra: também deverá considerar como os dados serão tratados e quais limites legais incidem sobre cada caso de negócio.
A página institucional do Banco Central sobre o Drex reúne o acompanhamento oficial das etapas relacionadas ao projeto. O material ajuda a contextualizar a nova chamada dentro do processo de testes conduzido pela autoridade monetária.
Segunda fase não representa lançamento comercial
A abertura do chamamento não significa, por si só, que o Drex esteja sendo lançado comercialmente. O projeto continua em fase de testes e desenvolvimento, e a seleção de propostas servirá para avaliar aplicações, requisitos técnicos, questões de privacidade e possíveis obstáculos regulatórios.
Para o mercado financeiro, a nova etapa pode ampliar a compreensão sobre como ativos e fluxos de pagamento podem ser integrados em uma plataforma baseada em tecnologia de registro distribuído. Para o público, o principal efeito imediato é o avanço da avaliação técnica e institucional do Drex, ainda sem indicação de que os casos testados estejam disponíveis como serviços de uso geral.
As instituições interessadas deverão preparar suas propostas dentro do período definido pelo Banco Central, detalhando o caso de negócio, os ativos envolvidos, os fluxos financeiros simulados e os impactos esperados. Também será necessário apresentar as necessidades de privacidade e os possíveis impedimentos legais ou regulatórios. Depois do encerramento das inscrições, a autoridade monetária avaliará os projetos conforme os recursos disponíveis para a segunda fase.